10 Março, 2006
Unitron Hearing Brasil
apóia a Campanha Nacional da Audição Unitron
Hearing Brasil apóia a Campanha Nacional da Audição
lançada pela SBO (Sociedade Brasileira de Otologia).
Veja o release de lancamento da campanha abaixo:
SBO lança Campanha Nacional da Audição Mais de
15 milhões de brasileiros têm problemas de audição,
segundo dados da Organização Mundial de Saúde.
O que poderia ser um problema simples de ser resolvido
– às vezes com tratamento medicamentoso, cirúrgico
ou o uso de aparelhos, muitas vezes imperceptíveis
graças à evolução tecnológica - ganha contornos
preocupantes. Apenas 40% dos afetados reconhecem
a doença. A falta de informação e o preconceito
fazem com que a maioria demore, em média, seis
anos para tomar uma providência, escondendo seu
problema.
Preocupada com esses índices, a Academia Brasileira
de Otologia (ABO) lança a Campanha Nacional da
Audição. A iniciativa, que conta com o apoio de
empresas do setor de Audiologia e da Associação
Brasileira de Otorrinolaringologia, terá início
em 20 de setembro, quando se comemora o Dia do
Idoso, e promoverá ações de conscientização por
todos o País. O objetivo é desmistificar alguns
tabus que envolvem a deficiência auditiva e melhorar
a qualidade de vida de quem sofre com o problema.
Especialistas são unânimes em afirmar que é preciso
acabar com o preconceito que rodeia os problemas
auditivos. Reconhecem que audição é ponto essencial
e condição fundamental para uma vida social normal.
Pesquisas informais constataram que a maior parte
dos surdos preferia ser cega. A explicação dada
por quem estuda o assunto é que a surdez causa
mais solidão do que a cegueira.
O maior dilema do surdo acontece em casa. Com
o tempo, quem tem problemas deixa de freqüentar
a mesa com a família e a sala de televisão. A
criança fecha a janela do conhecimento e se isola.
A maior parte da sociedade tem dó do cego e se
sente incomodada diante do surdo - explica Dr.
Luiz Carlos Alves de Sousa, diretor da Academia
Brasileira de Otologia e coordenador nacional
da campanha.
Quando identificado e estabelecido o diagnóstico
médico da causa do problema é indicado o uso de
aparelho auditivo, alguns pacientes se sentem
punidos por isto. Infelizmente, este preconceito
está entre as maiores dificuldades na reabilitação
da perda auditiva. Precisamos mudar essa imagem.
O aparelho, muitas vezes, é a solução ideal inclusive
para outros problemas relacionados à deficiência
auditiva, tais como a dispensa profissional, como
observa o presidente da instituição, Sady Selaimen
da Costa.
Proporcionar melhora da qualidade de vida do
deficiente auditivo é o objetivo da entidade.
Surdez na 3ª idade – o risco começa aos 65 anos.
O envelhecimento populacional é um dos maiores
desafios da saúde pública contemporânea. Trabalhos
recentes demonstram que a deficiência auditiva
acomete de alguma forma cerca de 70 % dos idosos
(pelo menos 10 milhões de pessoas em nosso país),
tratando-se de questão de saúde pública com necessidades
específicas quanto à promoção de saúde e à reabilitação
auditiva.
A perda de audição é a segunda mais comum inabilidade
física nos EUA, logo atrás da dor lombar. Aproximadamente
10% da população dos EUA têm algum grau de perda
de audição, incluindo um terço dos americanos
acima de 65 anos de idade.
“A surdez no idoso constitui-se em um dos mais
importantes fatores de desagregação social. De
todas as privações sensoriais, a perda auditiva
é a que produz efeito mais devastador no processo
de comunicação do idoso, sem contar que muitas
vezes a deficiência auditiva pode ser acompanhada
de um zumbido que compromete ainda mais o bem
estar daquele indivíduo”, explica Dr. Sady Selaimen
da Costa, presidente da Academia Brasileira de
Otologia.
Com o avançar da idade, todas as pessoas apresentam
um processo natural de envelhecimento multissistêmico
que envolve o aparelho auditivo, em suas vias
periféricas e centrais. A deficiência auditiva
pode ficar mais evidente após os 65 anos de idade,
sendo conhecida como Presbiacusia. Em alguns indivíduos,
por ação de agentes agravantes como a exposição
a sons intensos, diabetes, uso de medicação tóxica
para os ouvidos ou herança genética, a diminuição
da acuidade auditiva na terceira idade torna-se
extremamente comprometedora, interferindo diretamente
na sua qualidade de vida.
A presbiacusia é, portanto o envelhecimento natural
do ouvido humano simplesmente como somatório de
alterações degenerativas de todo o nosso organismo.
Atinge, inicialmente, as freqüências altas (os
sons agudos), progredindo a seguir para as freqüências
relacionadas à fala humana, afetando significativamente
a sua compreensão. Quando a surdez se torna mais
importante ela contribui para isolar o doente,
já possuidor de várias outras limitações físicas.
“Assim como há o envelhecimento da visão, e a
pessoa passa a ver menos, com a idade ela também
passa a ouvir menos. E como é natural procurarmos
o oftalmologista para usarmos óculos e ampliar
as imagens, também devemos procurar o otorrinolaringologista,
para sabermos se é o caso de usarmos os aparelhos
de amplificação sonora (AAS), também chamados
de próteses auditivas, ou outros equipamentos
auxiliares para a audição. Sem nenhum preconceito!
Esta é uma forma de se minimizar os efeitos negativos
da deficiência auditiva que tanto aflige as pessoas”,
afirma Dr. Luis Carlos Alves de Sousa, coordenador
da Campanha Nacional da Audição.
Mas, segundo o especialista, uma importante barreira
social precisa ser transposta definitivamente,
para melhorar a qualidade de vida do deficiente
auditivo.
“Há um preconceito muito grande em relação ao
uso dos aparelhos de audição e falta de informação
sobre os avanços tecnológicos da área. As pessoas
têm que estar conscientes do fato de que o uso
do aparelho não diminui ninguém. A audição é muito
importante nas nossas relações, não só familiares,
mas sociais e profissionais. A perda da audição
muda o perfil psicológico do indivíduo” adverte
o otorrinolaringologista.
De todas as privações sensoriais que afetam o
idoso, a incapacidade de comunicar-se com os outros
devido à perda auditiva pode ser uma das conseqüências
mais frustrantes, produzindo um impacto profundo
e devastador em sua qualidade de vida.
“Idosos portadores de presbiacusia experimentam
uma diminuição da sensibilidade auditiva e uma
redução na inteligibilidade da fala, o que vem
a comprometer seriamente o seu processo de comunicação
verbal. A perda auditiva em altas freqüências
(agudos) torna a percepção das consoantes mais
difícil, especialmente quando a comunicação ocorre
em ambientes ruidosos. Freqüentemente, respostas
inadequadas de indivíduos idosos presbiacúsicos
geram uma imagem de senilidade, a qual pode não
condizer com a realidade. A queixa típica destes
indivíduos é a de ouvirem, mas não entenderem
o que lhes é dito”, explica Dr. Luis Carlos. Além
do mais, a audição é imprescindível como mecanismo
de alerta e defesa, permitindo a localização da
fonte sonora à distância e a reação a ruído que
representam perigo”, complementa o otorrinolaringologista.
Segundo o especialista, é muito comum aos familiares
descreverem o idoso portador de deficiência auditiva
como confuso, desorientado, distraído, não comunicativo,
não colaborador, zangado, velho e, injustamente,
senil, no sentido pejorativo da palavra. “O aumento
da pressão imposta para ser bem sucedido na compreensão
da mensagem gera ansiedade e aumenta a probabilidade
de falhar nesta tarefa. A ansiedade leva à frustração
e a frustração leva à falha; a falha, por sua
vez leva à raiva e, finalmente, a raiva leva ao
afastamento da situação de comunicação. O resultado
é o isolamento e a segregação” finaliza o médico.
Podemos resumir as implicações da deficiência auditiva
no idoso, destacando:
- Redução na percepção da fala em várias situações
e ambientes acústicos. Piora em ambientes ruidosos.
Muitas vezes está associado um zumbido, o que
piora o problema.
- O idoso muitas vezes ouve o que a pessoa está
falando, mas não entende.
- Alterações psicológicas: depressão, embaraço,
frustração, raiva e medo, causados por incapacidade
pessoal de comunicar-se com os outros.
Isolamento social: A interação com família,
amigos e comunidade fica seriamente afetada.
- Incapacidade auditiva: igrejas, teatro, cinema,
rádio e TV.
- Intolerância (irritação) a sons de moderada
à alta intensidade (principalmente os agudos).
Se a pessoa fala baixo o idoso não ouve se ela
grita o incomoda.
- Problemas de alerta e defesa: incapacidade para
ouvir pessoas e veículos aproximando-se, panelas
fervendo, alarmes, telefone, campainha da porta,
anúncios de emergências em rádio e TV
A Organização Mundial de Saúde, em 1980, definiu
duas conseqüências importantes da deficiência
auditiva, sendo elas: a incapacidade auditiva
(perda propriamente dita) e o handicap (desvantagem).
A incapacidade auditiva refere-se a qualquer restrição
ou falta de habilidade para desempenhar uma atividade
dentro de uma faixa considerada normal para o
ser humano, principalmente relacionada aos problemas
auditivos experimentados pelo indivíduo com referência
à percepção de fala em ambientes ruidosos, televisão,
rádio, cinema, teatro, igrejas, sinais sonoros
de alerta, música e sons ambientais.
Já a desvantagem (handicap) relaciona-se aos
aspectos não auditivos, resultantes da deficiência
e da incapacidade auditivas, os quais limitam
ou impedem o indivíduo de desempenhar adequadamente
suas atividades de vida diária e comprometem suas
relações na família, no trabalho e na sociedade.
“Esta desvantagem é, em grande parte, influenciada
por idade, sexo e pelos fatores psicossociais,
culturais e ambientais. O idoso, mesmo portando
perdas auditivas leves, pode apresentar um handicap
auditivo bem acentuado em função da degeneração
das vias auditivas centrais (distúrbio do processamento
auditivo), o que afeta adversamente a inteligibilidade
da fala, que está ligada a compreensão do teor
da conversação” esclarece o médico. |